MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO

fevereiro 22, 2008 às 11:58 am | Publicado em Filmes | 3 Comentários
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Davi Cruz – Nota 9,5

Uma boa surpresa. Não tenho como descrever esse filme de outra forma que não seja essa. Em vários momentos, tive a oportunidade de assistir a MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO e acabei abdicando dele para tentar a sorte com bombas como O GRITO 2 e NATAL NEGRO.

Tenho que confessar que o título e a presença de Will Farrell, encabeçando o elenco, acabaram me afastando do filme, por imaginar que se tratava de uma comédia boba.

Nesta semana, unicamente por falta de opções melhores, acabei assistindo ao filme, que para minha surpresa, é ótimo. De cara, ele me lembrou O SHOW DE TRUMAN, já que ambos são filmes estrelados por comediantes e que, a partir de uma premissa absurda, conseguem contar histórias interessantes, com grande sensibilidade.

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Neste caso, a premissa é ainda mais absurda que o SHOW DE TRUMAN, mostrando um homem triste e solitário que, em determinado momento, passa a ouvir uma voz feminina, que parece narrar todas as suas ações e pensamentos.

Will Farrell interpreta esse homem, chamado Harold Crick. Ele é um auditor da Receita Federal cuja vida não tem praticamente nenhuma emoção ou sentido. Abandona pela noiva, ele se entrega à rotina absoluta, como forma de continuar levando a vida. Assim, todos os dias, ele escova os dentes no mesmo horário e da mesma forma, dorme exatamente no mesmo horário e vai para o trabalho sempre pelo mesmo caminho e, é claro, no mesmo horário. Além disso, ele é apaixonado pelos números (acho que a expressão mais correta seria “escravo dos números”) já que, além desta rotina com os horários, ele ainda conta o número de vezes que escova os dentes, o número de passos que dá de casa até o trabalho, etc.

O diretor Marc Foster (o mesmo do ótimo e pesado A ÚLTIMA CEIA), utiliza um recurso bem interessante para ilustrar essa obsessão de Harold pelos números: vários gráficos acompanham o personagem, ilustrando seus processos mentais. Aliás, o diretor faz um ótimo trabalho, transmitindo bem a amargura e a solidão do personagem e fugindo das piadas óbvias. Um exemplo disso (citado também pelo site CINEMA EM CENA) é o momento em que o personagem discute com uma recepcionista, que não acredita em sua absurda história. A cena é cortada e é mostrada a porta do prédio. Imediatamente, esperamos o momento em que Harold seja jogado dali pelos seguranças (cena essa que, é claro, nos faria sorrir, mesmo que um sorriso meio amarelo). Ao invés disso, o personagem sai pela porta, calmamente e chateado por não ter conseguido falar com a pessoa que procurava. Foi engraçado? Não. Mas foi inteligente por quebrar totalmente nossas expectativas.

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Voltando à história, a partir do momento em que começa a escutar a tal voz misteriosa, Harold começa a mudar sua forma de viver e de ver o mundo. E confesso que nunca esperava encontrar uma mensagem bonita e positiva em um filme como esse. E o filme consegue fazer isso sem parecer piegas. Eu mesmo, que normalmente apago 99% das mensagens em POWER POINT que recebo, por considerá-las bobas e repetitivas, consegui me emocionar com a mensagem do filme.

Além disso, desde o momento em que descobrimos que a morte do personagem está próxima, o filme começa a ser tornar cada vez mais tenso – algo semelhante ao que experimentamos ao assistir ao primeiro PREMONIÇÃO. Ou seja, sabemos que o personagem pode morrer, mas não temos idéia de quando e nem como isso acontecerá.

Por isso, apesar do ritmo bastante lento (que não me incomodou) recomendo ele para quem estiver interessado em um bom filme, com um roteiro muito inteligente e uma mensagem legal.

3 Comentários »

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  1. Adorei esse filme, mesmo tendo assistido depois de ler muitas criticas negativas.. mas achei fascinante… um roteiro interessante e original…além da ótima atuação do Will, a qual não curto muito… Só achei um papel totalmente desnecessário a da Queen Latifah… memsoa ssim não prejudicou o filme…
    boa dica, abraços.

  2. Realmente a Queen Latifah não teve utilidade nenhuma. Se, no lugar dela, colocassem a bola de vôlei de NÁUFRAGO (Wilson), teria o mesmo efeito..rsss

    Valeu pelo comentário.
    abraços

  3. […] Eram, mais ou menos assim, as poucas sinopses de LARS AND THE REAL GIRL disponíveis na internet. Mais desanimadoras que estas, impossível. Por isso, só acabei tomando coragem para assistir ao filme, devido à insistência do meu amigo Diógenes, o mesmo que já havia me indicado o ótimo MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO. […]


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