INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL (2008)

junho 13, 2008 às 5:27 pm | Publicado em Filmes | 4 Comentários

Davi Cruz – Nota 9,0

Estou morando no nordeste (em Pernambuco, para ser mais exato) à aproximadamente 8 anos, quando saí do conforto da casa dos meus pais para enfrentar o desafio de trabalhar em uma região diferente e bastante distante. Como não poderia deixar de ser, acabei amadurecendo “na marra”, principalmente pelo fato de ter que viver longe de todas as pessoas que eu conhecia, inclusive da família.

Esse amadurecimento, entre outras coisas, acabou influenciando meu modo de encarar alguns filmes. Posso dizer que, nesse tempo todo, poucos filmes mexeram tanto comigo como o novo INDIANA JONES mexeu. Não quero dizer, com isso, que se trata do MELHOR filme que vi nos últimos anos – coisa que ele está longe de ser.  O grande mérito do filme (na verdade, mérito da franquia) é o clima gostoso de nostalgia que ele desperta, a cada acorde da imortal trilha sonora criada por John Williams. Não tem como deixar de lembrar a forma como assisti as dois primeiros filmes da série, o primeiro em uma sala de aula com mais de 50 crianças junto e o segundo ao alugar um aparelho de videocassete (era muito caro para comprar), acompanhado de uma única fita VHS com o filme (assistido 13 vezes no final de semana).

Assim como eu, todo mundo tem uma boa história para recordar. Além disso, eram filmes maravilhosos e que resistiram muito bem ao tempo.

O mesmo já não posso dizer de INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA, assistido numa época em que as coisas já eram bem mais fáceis. O filme era bom, mas não trazia nenhum tipo de sentimento especial.

Agora, porém, quando a saudade de casa volta e meia me maltrata, INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL acabou caindo como uma bomba. Tanto que é até difícil de analisar, friamente, a qualidade do filme.

Antes de mais nada, não posso deixar de dizer que não gostei do nome do filme… porque não colocaram, simplesmente, Indiana Jones e A CAVEIRA DE CRISTAL?

Steven Spielberg continua imbatível na arte de apresentar personagens: a seqüência inicial é um exemplo disso. O diretor mostra inicialmente apenas o chapéu caído no chão e depois a sombra do nosso herói, tudo acompanhado pela famosa música… Um momento realmente de arrepiar.

Temos boas cenas de ação, realmente empolgantes e a várias viagens, acompanhadas pelo famoso mapa mundi.

Porém, não gostei da história escolhida. Tenho certeza que o outro roteiro (que acabou virando um game) que tratava do continente perdido de Atlântis seria muito mais interessante.  Porém, pelo que consta, o Sr. George Lucas bateu o pé na hora da escolha, preferindo a história da caveira.

Mesmo assim, com um roteiro fraco e com alguns remendos (devido a impossibilidade de se contar com alguns atores, principalmente Sean Connery), o filme consegue agradar, méritos do elenco e do diretor. Muitas vezes, temos um roteiro bom resultando em um filme fraco e aqui o oposto acontece.

Infelizmente, ainda não digeri bem a mudança da ambientação do filme, que agora ocorre durante a guerra fria, com os inimigos sendo representados por russos e não mais por nazistas. Talvez assistindo o filme mais uma vez, a coisa torne-se mais natural, mas, por enquanto, me pareceu estranha – assim como é estranha aquela seqüência, meio VIAGEM MALDITA, que mostra o Dr. Jones em meio a testes nucleares…

Já o envelhecimento do protagonista não me incomodou em nenhum momento, seja pelas várias piadas que tratam do assunto durante o filme, seja pelo fato de já ter me acostumado a ver Harrison Ford naturalmente mais velho.

Gostei da presença do personagem Shia LaBeouf, que trouxe mais gás para o filme. Achei até que ele seria um personagem bem mais arrogante do que foi mostrado. E a vilã, interpretada por Cate Blanchet, apesar de estar sendo malhada pela crítica, me agradou, com seu tom caricato claramente proposital.

Um ponto que realmente me desagradou muito foi o uso excessivo da computação gráfica. Já vi muitas pessoas reclamando e tenho que concordar com elas. Eu preferiria ver um Indiana Jones mais analógico e com cara de “filme-B”. Tanto que considero a cena mais divertida do filme (e, tenho certeza, que será a mais lembrada) é aquela com a cobra e a areia movediça – sem nenhum efeito digital. Já o oposto ocorre justamente na bizarra cena “Tarzan” do filme, com o personagem Mutt pendurado em um cipó e rodeado por macaquinhos digitais… Como dito pelo pessoal do JOVEN NERD: “aquela cena só pode ter saído da cabeça do George Lucas”. Fico pensando que, se tivesse sido realizada de forma mais tradicional, sem efeitos digitais (no filme, ficou parecendo uma cena de um videogame, de tão artificial), a idéia até que seria interessante…

INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL acaba sendo um bom filme, cujos defeitos são naturais, em uma produção cercada de tamanha expectativa. Obviamente, é inferior aos filmes anteriores, principalmente por causa do, já citado, roteiro fraco. Porém, ainda assim, é um filme muito superior a todos os filmes de ação/aventura feitos atualmente. Tenho certeza que é o tipo de filme que, após ser assistido mais de uma vez,  fica ainda melhor.

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4 Comentários »

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  1. a nostalgia, para mim, não apaga os defeitos desse filme.. na boa, esperva bem mais, principalmente por ter levado tanto tmepo para o heori retornar…
    os dialogos foam bobos, a historia estranha e confusa, além de mirabolante.. além de uma Cate Blanchet esteriotipada demais e um amigo ‘desmiolado’ do Indy que não fala coisa com coisa.. nem qdo está normal…
    Não dei uam nota tão alta pra ele, principalmente pelo fato de não ter levado em conta esse clima de nostalgia..
    Na boa, Davi, se vc não tivesse assistiido e virado fã dos anteriores.. voce teria dado uma nota tão alta???
    abraços!!!

  2. Rodrigo, com certeza teria dado uma nota entre 6 e 7…
    Por isso, comecei o texto exaltando a nostalgia.

    abraços!

  3. É um filme que eu esperava a 19 anos, devo ter visto mais de 30 vezes (sem exagero!) os três primeiros… poderia realmente ser melhor, mas também é difícil chegar perto principalmente do 1 e 2 (o 3 acho inferior, talvez até a este). O curioso é que achei o Harrison Ford muito velho no início do filme e depois parece que ele foi remoçando (ou eu me acostumando). Concordo que houve exagero nas cenas digitais, principalmente a do “Tarzan” (totalmente desnecessária). Também as partes em que aparece a marmota ficaram meio demais. No final, com aquele negócio de ET’s e disco voador, pensei algo parecido com o que foi comentado sobre o George Lucas: Só podia ser coisa do Spielberg!
    Mas valeu a pena (e muito!). Como disse o Davi (e era exatamente o que eu também pensei), à medida em que for assistindo mais vezes esta nova versão acho que vou acabar gostando ainda mais. Só ouvir no cinema novamente aquela trilha já me fez ficar relaxado e curtindo o filme… espero que ainda saiam o 5 e o 6, mas tem que ser logo, senão o velho Indiana não dá conta do recado! Só tem uma coisa, nada de colocar o Mutt de substituto! Indiana Jones só tem um!

  4. Concordo contigo Marcio: Indiana Jones só tem um!
    Acho até que aquela cena final, em o Mutt está prestes a colocar o chapéu quando é interrompido pelo seu pai, é um recado dos produtores, confirmando isso.

    Quanto ao Harrison Ford estar velho, eu tive uma sensação parecida contido: fui me acostumando durante o filme. No dia seguinte, assisti ao novo LENDA DO TESOURO PERDIDO, com o Nicholas Cage e tive uma certeza: Harrison Ford é um guri… Velho é o Nicholas Cage (que deveria parecer bem mais novo), totalmente esticado e endurecido pelo Botox…

    abraço!


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