FRIDAY NIGHT LIGHTS [3X03] – How the Other Half Live

outubro 25, 2008 às 11:53 am | Publicado em FRIDAY NIGHT LIGHTS | 1 Comentário

Nenhuma outra série consegue lidar tão bem com o tema “pressão” quanto FNL.  Mesmo contando a história de pessoas simples, que querem apenas ganhar um jogo, garantir o emprego ou simplesmente seguir levando a vida, a série é tão bem escrita e realizada que consegue deixar qualquer um grudado na poltrona.

Uma simples comparação, com a badalada série HEROES, nos dá uma idéia das qualidades de FNL: enquanto os personagens da primeira tentam salvar o mundo, eu apenas me esforço para não pegar no sono. Já em FNL, uma simples cena mostrando um treinador sendo pressionado pelos patrocinadores do time me deixa com o coração na mão.

O terceiro episódio desta atual temporada trata, principalmente, do outro lado da moeda, ou seja, das pessoas de Dillon que não vivem sob os holofotes do futebol mas que, mesmo assim, precisam sobreviver. O maior exemplo disso é Billy Riggins, que de jogador promissor passou a apenas um bêbado desempregado,  que pretende se casar com uma stripper, mesmo que tenha que roubar para isso. O pior de tudo, que me leva a torcer para que o cara se foda, é que o desgraçado, ao invés de apoiar o irmão que teria tudo para ser um grande jogador, simplesmente tenta dragá-lo para dentro do mesmo buraco.

Tim Riggins encontra-se na fronteira entre ingressar no futuro e mergulhar de vez no passado com o seu irmão, sendo que Lyla o puxa para um lado e Billy praticamente o arrasta para o outro. A cena que mostra os dois irmãos, sentados à beira de uma piscina vazia, bebendo cerveja e tendo ao lado deles as bobinas roubadas, serve como uma bela metáfora para o que a vida lhes reserva: um grande vazio existencial, rodeado de problemas. Ou então, serve para lembrar que um ex-jogador  promissor tem a mesma utilidade de uma piscina vazia: nenhuma, a não ser a de lembrar o passado glorioso. E para quem sente raiva de Tim, pelas suas escolhas estúpidas, basta lembrar que o cara não teve uma figura materna, assim como Smash tem, que o aconselhe e o apoie. Sua única refência é o irmão fracassado. 

Já que falei de Smash, tivemos uns daqueles “draminhas instantâneos” de FNL, envolvendo o jogador.  O cara está com um teste marcado e com chances reais de recomeçar sua carreira, além de ingressar em uma faculdade, mas resolve desistir tudo para ser gerente de sorveteria?!?!? Ainda bem que, diferentemente de Tim Riggins, ele tem Corina Willians, uma mãe guerreira ao seu lado para lhe orientar.  Novo show de interpretação da Mama Smah e acredito que, agora, Smash irá passar no teste e, infelizmente, se afastar da série nos próximos episódios.

Outro personagem que, assim como Tim, encontra-se muito próximo do limite é Matt Saracen. A única diferença é que, ao contrário de Riggins, Matt luta para reverter o quadro. Ele sabe que se perder a vaga para a estrela Macoy, logo se tornará mais um anônimo reserva do time e, porque não, um anônimo na vida..

Pelo menos Matt conta a reaproximação de Julie que, mais madura, mostra-se uma excelente compania (além de linda, né).

Enquanto isso, J.D. Macoy  mostra-se um personagem bem mais complexo do que eu imaginava. Pelo menos foi essa a impressão que tive, ao ver o diálogo dele com Matt. A princípio, o garoto carrega a arrogância do pai, mas percebe-se que ele não se encontra totalmente confortável com aquela situação toda – talvez por medo de não suprir as expectativas do pai. Aliás, será que o pai alguma vez lhe perguntou se era aquilo, realmente, que ele queria da vida?

E como comecei o texto falando em “pressão”, nenhum outro personagem encontra-se tão pressionado como o técnico Eric Taylor. Com toda essa pressão exercida pelos patrocinadores, ele sabe que mais cedo ou mais tarde terá que colocar Macoy no time. Seu emprego também depende disso e, para completar, ele não conta mais com o apoio da esposa, saturada pelos próprios problemas.

Para encerrar, o episódio tem uma grande partida de futebol, repleta de tensão e de grandes lances, com destaque para a interpretação de Matt Saracem. A expressão assustada e, ao mesmo tempo, determinada dele, aliado a sua voz extremamente rouca, tornaram as cenas extremamente convincentes.

Enfim, um grande episódio, da melhor série em exibição. Acho que não preciso dizer mais nada. 

1 Comentário »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. Muito bom o texto Davi, vc consegue carregar de detalhes os paragrafos de maneira sublime.

    JD pessoa, não o mito, ainda não mostrou a que veio.
    Smash trilha seu caminho pra fora da série, e ainda sinto a falta do Jason, que ele volte logo (se voltar)!
    MElhor série em exibição?

    Com certeza!!!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: